A Escola Franciscana recebe como herança de seus fundadores a concepção de Deus providente, uno e trino. Pai de bondade, fundamento das relações sociais, que faz da comunidade educativa, uma comunidade de irmãos e irmãs. Deus Pai envia seu Filho Jesus que, pela encarnação, vida e ressurreição, reconcilia os homens entre si, com o cosmo, com todo o elemento criado e com o Pai, estabelecendo a nova criação gestada e guiada pelo Espírito Santo por Ele enviado.

São Francisco de Assis compreende essa dinâmica pela meditação do Evangelho e pela contemplação de Cristo pobre e crucificado. Por seu estilo de vida, lança sementes de uma nova sociedade, onde é possível a convivência com o diferente e o respeito entre os opostos. Mostra que a harmonização planetária – o ecocentrismo e a fraternidade – são possíveis porque Deus é Pai e conduz a história.

Madre Madalena percorre o caminho espiritual de Francisco de Assis. Em sua experiência profunda de fé no Deus providente, percebe as necessidades do povo de seu tempo. Funda, na Igreja, uma família religiosa dedicada ao ensino. Seu ser de educadora é simples, cordial, de ternura e vigor.


Madre Madalena tinha a intenção de tirar as crianças e os adolescentes da ociosidade e mostrar-lhes o valor da dignidade humana. Primeiramente, de forma assistemática. Depois, a congregação compreendeu que Educação é processo, que deve atingir a pessoa em sua totalidade e que contribui para a construção da sociedade. Hoje, dizemos que a educação capacita a pessoa a interagir criticamente na realidade, atuando de maneira consciente e responsável diante das necessidades sociais.

Sua ação é transformadora, enquanto busca mudanças significativas e estabelece relações de cidadania, voltadas para o bem, para a fraternidade e para o amor, provoca o surgimento de vocações para a liderança.

Nesse contexto, está a Escola como entidade sistematizadora do processo ensino-aprendizagem e como um espaço de construção do conhecimento. Além disso, é um lugar de convívio, onde acontecem as experiências mais significativas, que permitem ao educando desenvolver-se em todos os sentidos, não apenas no aspecto cognitivo.


O homem, ser em relação, está em contínua busca de significado para sua existência. Na perspectiva cristã, é criado à imagem e semelhança de Deus, um Deus da Vida, que plenifica a criatura de esperança e a impulsiona para a utopia da felicidade. Em sua passagem pela história, a pessoa, dialeticamente, tanto se liberta da mediocridade e da imanência como se volta para a escravidão. A consciência dessa realidade torna-a dinâmica na construção da verdadeira e contínua libertação, até atingir a comunhão, sentido último da existência humana.
Na sociedade, as pessoas e os grupos compartilham experiências, valores e objetivos que, muitas vezes, são transformados em regras e normas de convivência. Na proposta educacional franciscana, a sociedade é fundamentada nos princípios evangélicos da dignidade e do respeito à pessoa que luta pela qualidade de vida. Acredita a escola franciscana que, uma sociedade assim concebida, é justa, fraterna e solidária. O diálogo, a reverência e a liberdade de expressão são valores que solidificam as relações econômicas, sociais, culturais e familiares, e constituem a cidadania.

Nesta concepção de sociedade, está o entendimento de que o aluno é um ser em constante mudança e agente vivo na busca do saber. Ele interage, participa e constrói o conhecimento e a autonomia. Quando consciente e responsável, toma decisões de forma habilidosa e criativa diante do novo. Na escola franciscana, ele é incentivado à vivencia dos valores evangélicos da fé e da justiça. Por se constituir em razão de ser escola, é valorizado no processo ensino-aprendizagem e desafiado a levar ao mundo os ideais da paz e do bem, da confiança e da esperança.

Dentro dessa perspectiva, o professor franciscano é, antes de tudo, um mestre de vida. Professa ele uma compreensão do mundo e da pessoa, sendo o mediador comprometido com a filosofia da instituição. Busca junto com o aluno a construção de novas formas de ensinar e aprender, supera a fragmentação do conhecimento e cria vínculo com o cotidiano.
Existencialmente, bem situado e autônomo, o professor cresce em liberdade e, em conseqüência, relaciona-se bem com os colegas de trabalho, com a Direção e demais membros da comunidade educativa. Porque pesquisa, vive a alegria da criatividade e aprimora seu trabalho contextualizado, dinâmico e transdisciplinar.


Ao longo da vida, o ser humano conhece. Suas fontes de conhecimento são muitas: a experiência, a convivência, o diálogo, os livros, as leituras que ele faz da realidade e de outras fontes. Nessa dinâmica, a mente toma posse de conceitos, informações, conteúdos, bagagens culturais e experiências que possibilitam uma visão panorâmica de si, dos outros, da realidade, que levam à transformação do que foi aprendido em vida. Essa transformação é prazerosa, porque é o saber que constrói e que resulta em novas experiências e foram novas estruturas mentais para si e para a coletividade.

Assim concebido o conhecimento, compreende-se que a aprendizagem somente ocorre quando o aluno busca, por si mesmo, o saber e sente nele o sabor da descoberta. Sua postura como pessoa é de busca a tudo aquilo que faz crescer. Em linha ascendente, a pessoa desenvolve cada vez mais suas capacidades e competências de viver e conviver de forma gradativa e autônoma. É um processo permanente de ação-reflexão-ação, que confirma a originalidade e a liberdade do aprendiz professor e aluno. Na visão franciscana, tudo isso confere à pessoa uma grandeza interior que liberta e coloca o ser humano em condições de responder aos desafios que a vida impõe em qualquer tempo e espaço.


Para que a educação nas escolas da SCALIFRA-ZN cumpra sua missão, é imprescindível que a metodologia de trabalho favoreça o crescimento para a liberdade responsável. Ela envolve caminhos e meios que proporcionam espaço de diálogo numa interação participativa e dinâmica entre professor e aluno, desencadeando o processo de apreensão, análise e compreensão da realidade concreta, tanto subjetiva quanto objetiva. No processo de aprendizagem, é necessário clareza de intenção ao ministrar um conteúdo, segurança nos objetivos a serem alcançados e definição de estratégias para que sejam eficazes. A metodologia provoca situações desafiadoras para a organização do pensamento e construção de conceitos que possam oferecer ao aluno instrumento necessário ao desenvolvimento de uma atitude interdisciplinar de relacionamento e resposta aos desafios que a vida e a ciência nos propõem. Na prática pedagógica franciscana, o processo educativo atinge a vontade do aluno, em primeiro lugar, para que ele possa afetivamente e emocionalmente ir ao encontro do saber por si próprio, tendo, no educador, um orientador de qualidade em caráter e em perspicácia, seguro nos valores propostos pela filosofia evangélico-franciscana.

Conduzida, dessa forma, a prática pedagógica, pode-se, com serenidade, falar de avaliação. Num processo onde interagem o aluno e o professor, a avaliação também é contínua, sistemática e participativa. O diálogo é parte integrante da avaliação numa perspectiva tranqüila de acompanhamento da aprendizagem para detectar o que precisa ser retomado na prática educativa e o que precisa ser melhor assimilado pelo educando. A avaliação é uma coleta reflexiva de dados imprescindíveis para a transformação, por1que favorece o crescimento recíproco da Instituição de Ensino, do professor e do aluno, remete ambos a constantes e atenciosas orientações e, se necessário, a um redirecionamento quanto a métodos e estratégias.

A maneira de expressar a avaliação é diversificada, salvaguardando a liberdade de cada escola, porém, o que une as escolas franciscanas é a construção de seres humanos autônomos, livres cristãos e competentes.